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Secretário diz que operação não tem vínculo com empresa da esposa e nem com a prefeitura

Biaggi confirmou à reportagem ter sido alvo de uma dessas medidas cautelares: o monitoramento por tornozeleira eletrônica, sem prisão. Ele nega irregularidades e sustenta que seu nome aparece no caso por causa de uma relação profissional encerrada há cinco anos.

Redação - Noticidade
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Secretário diz que operação não tem vínculo com empresa da esposa e nem com a prefeitura

Secretário especial da prefeitura disse que caso apurado é do passado e isentou a gestão de Basso. (Foto: Arquivo)

O secretário especial de Administração da Prefeitura, Welbet José Biaggi de Amorim entrou em contato com a reportagem do Noticidade e esclareceu que a Prefeitura de Sidrolândia e a empresa de sua esposa não são alvos da operação do Gaeco que cumpriu na manhã desta quarta-feira (28) mandados de busca e apreensão em Sidrolândia. Duas equipes atuaram simultaneamente em endereços ligados a ele, primeiro em sua casa e depois na malharia Priscilla Malhas.

As diligências integram a Operação Trama Oculta, que mobilizou 28 mandados de busca e apreensão e 14 medidas cautelares diversas da prisão em sete municípios: Anastácio, Caarapó, Campo Grande, Dourados, Mundo Novo, Jardim e Sidrolândia. Segundo o MPMS, a investigação aponta a atuação de um grupo de empresários do ramo de confecções que combinava previamente os preços das propostas apresentadas em pregões públicos, simulando concorrência para inflar os valores das contratações.

Biaggi confirmou à reportagem ter sido alvo de uma dessas medidas cautelares: o monitoramento por tornozeleira eletrônica, sem prisão. Ele nega irregularidades e sustenta que seu nome aparece no caso por causa de uma relação profissional encerrada há cinco anos. A prefeitura de Sidrolândia não se manifestou oficialmente até a publicação desta reportagem.

A Operação Trama Oculta não nasceu de uma denúncia sobre Sidrolândia. Nasceu de um aparelho celular apreendido 20 meses antes, em outra investigação.

Em 18 de fevereiro de 2025, Gaeco e Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) deflagraram a Operação Malebolge, que cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos. A investigação apontava uma organização criminosa voltada contra a administração pública, com núcleos distintos nas duas primeiras cidades e o mesmo modo de operação: conluio entre empresários e servidores públicos cooptados, em contratos que ultrapassavam R$ 10 milhões. Naquele dia, a Vigilância Sanitária chegou a interditar uma câmara frigorífica com alimentos vencidos de uma fornecedora de prefeituras, e foram apreendidos R$ 9 mil em espécie com um dos alvos.

A perícia no material extraído dos celulares recolhidos abriu uma frente paralela. Segundo o MPMS, as conversas revelaram um esquema próprio do setor de confecções — segmento que fornece uniformes, materiais e artigos esportivos a prefeituras —, organizado para fraudar pregões. Até agora, os investigadores identificaram 15 licitações com indícios de manipulação, em contratos que alcançam aproximadamente R$ 3 milhões.

O nome da operação faz referência dupla: ao produto negociado pelo grupo, o tecido, e às articulações feitas nos bastidores para simular disputa entre empresas do mesmo cartel. Em alguns casos, conforme o Ministério Público, servidores públicos teriam sido cooptados para viabilizar as fraudes e favorecer o superfaturamento.

Em Campo Grande, um dos mandados foi cumprido na Galeria dos Esportes, no Centro, e outro na casa do proprietário da loja.

A versão do secretário - Ouvido nas primeiras horas da manhã, Biaggi explicou que sua inclusão nas buscas decorre da atividade que exerceu como procurador da Yvu Indústria de Confecções, empresa sediada em Dourados, entre 2013 e 2021. Segundo ele, a Yvu participou de processos licitatórios que passaram a ser examinados pelos investigadores.

O secretário mencionou também a G&L Indústria e Comércio, outra empresa do ramo que disputava licitações e cujo proprietário, conforme seu relato, chegou a ser preso em etapa anterior da investigação. Ele afirma que as duas empresas são distintas e que sua representação comercial foi exercida exclusivamente em nome da Yvu.

A versão encontra respaldo documental parcial. Em fevereiro de 2021, o Diário Oficial de Ponta Porã registrou ata de preço para fornecimento de uniformes com o nome do atual secretário como representante da Yvu — a G&L também figurava no mesmo procedimento. O registro comprova o vínculo de representação; não comprova, por si, qualquer irregularidade nas licitações das quais a empresa participou.

Sobre a malharia da esposa, Biaggi assegurou que o estabelecimento não está entre as empresas investigadas e que os agentes estiveram no local porque ele utiliza o endereço como referência profissional. Também afirmou que a operação não tem relação com sua atuação na prefeitura. O secretário deixou o comando da Secretaria Municipal de Administração em fevereiro deste ano, durante uma reformulação administrativa, quando Edilene Rodrigues assumiu a titularidade da pasta — ele permaneceu na estrutura do governo como secretário especial, um cargo de confiança e chefia na prefeitura.

O que o Ministério Público ainda não confirmou - A ausência de envolvimento da Priscilla Malhas e da Prefeitura de Sidrolândia é afirmação do próprio investigado, não do MPMS. Até o fim da manhã, o órgão não havia divulgado a relação completa dos investigados, nem detalhado individualmente os contratos e as medidas judiciais relacionadas a cada alvo. Também não confirmou nem desmentiu a versão apresentada pelo secretário.

Essa distinção é relevante em termos jurídicos. Tanto a condição de investigado quanto a medida cautelar não representam condenação, e o monitoramento eletrônico é uma alternativa à prisão prevista na legislação processual. Nenhum dos citados nesta reportagem foi condenado no âmbito da operação.

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