O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a realização de uma audiência de conciliação para tentar resolver disputa envolvendo a Terra Indígena Buriti, em Sidrolândia, reivindicada pelos terena. A decisão não resolve o mérito do caso, mas abre uma nova tentativa de acordo entre as partes.
O processo envolve a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, que contestam decisões anteriores sobre a revisão dos limites da área, reduzindo o território indígena. Do outro lado, estão ocupantes e herdeiros de propriedades rurais na região.
A controvérsia chegou ao STF porque discute a interpretação da Constituição Federal no artigo 231, que trata das terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas. Em fases anteriores, o caso havia sido barrado sob o argumento de que exigiria reavaliação de fatos e provas, o que normalmente não é permitido em recursos extraordinários.
Na decisão desta segunda fase, o ministro Flávio Dino entendeu que o cenário atual do processo e os relatos mais recentes das partes justificam uma tentativa de solução consensual. Segundo ele, há indicativos de disposição para diálogo entre os envolvidos. O despacho cita que a comunidade indígena relatou a continuidade de conflitos na área e demonstrou interesse em retomar negociações.
Também há menções a sinais de abertura por parte de proprietários rurais para reabrir tratativas, na interpretação do STF. Com base nisso, o ministro determinou a realização de audiência de conciliação, que será conduzida pelo Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (NUSOL), com apoio de uma juíza auxiliar do gabinete.
A data e o local da audiência ainda serão definidos. Após isso, todas as partes envolvidas deverão ser intimadas para participar da reunião.
(Com informações do site Campo Grande News).